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Aneel cobra Chesf por apagão no Piauí

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) quer um relatório sobre os apagões da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). Nessa sexta-feira (18) um curto-circuito num transformador da subestação da Chesf em Teresina deixou cerca de 1,4 milhão de consumidores sem energia na cidade, que tem cerca de 850 mil habitantes, e em outros 32 municípios do Estado. O apagão durou cerca de uma hora das 8 horas às 9 horas, quando a presidente da República, Dilma Rousseff, chegou ao Estado do Piauí. No início do ano, nos dias 3 e 4, um apagão de quase 5 horas deixou oito Estados do Nordeste às escuras de 23h30 às 4 horas da manhã.

A Eletrobras Distribuidora Piauí divulgou nota informando que a suspensão no fornecimento de energia foi de responsabilidade da Chesf. Na nota, informa que um curto-circuito atingiu um transformador de corrente da subestação localizada no bairro Tabuleta, em Teresina.

A direção da Chesf confirmou que a falta de energia atingiu 33 cidades do Piauí ontem. O problema foi causado por um princípio de incêndio num transformador numa subestação na zona sul da cidade. O fogo foi controlado pelos próprios funcionários da companhia. O equipamento foi isolado para depois ser substituído. O superintendente regional da Chesf, Aírton Feitosa confirmou o curto-circuito. “O equipamento estava com tudo em ordem. Estamos apurando o que pode ter acontecido. É um equipamento pequeno, vertical, que é responsável pela proteção da subestação.”

O Corpo de Bombeiros foi acionado e duas viaturas foram ao local. Os técnicos da Chesf solicitaram a suspensão do fornecimento de energia para substituir o equipamento danificado.

“Houve falha em um componente eletrônico, a cartela, que faz parte do sistema de proteção da subestação. Houve ordem para desligar a subestação. Isso às vezes pode acontecer”, afirmou o diretor de operações da Companhia Hidrelétrica do São Francisco, Mozart Bandeira Arnaud.

ONS - O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) confirmou que o fornecimento de energia no Piauí foi interrompido às 8h58 e foi restabelecido uma hora depois, às 9h54. O ONS disse que só se manifestará sobre os motivos do apagão após reunião com representantes das empresas envolvidas e da Aneel, na quarta-feira. (Agência Estado)

Após reunião do setor energético, ministro volta a afastar risco de apagão

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, voltou a afirmar, nesta quarta-feira (9), que o sistema de energia elétrica do País vai assegurar o fornecimento para todo o território brasileiro, mesmo com os reservatório das usinas hidrelétricas no nível mais baixo dos últimos dez anos. De acordo com o ministro não há nenhum risco de apagão.

— Eu me lembro que falei em 2008, logo após ter assumido o ministério, no dia 21 de janeiro, quando se dizia, a exemplo de agora, que nós teríamos um desabastecimento. Não houve, não haverá agora e espero que jamais haja desabastecimento de energia elétrica neste País.

As declarações foram dadas após a reunião do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico), realizada no MME (Ministério de Minas e Energia), em Brasília.

O encontro foi presidido pelo ministro e teve aparticipação do secretário-executivo do MME, Márcio Zimmermann, do diretor-geral do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Hermes Chipp, do diretor da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Edvaldo Santana e do diretor da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Helder Queiroz. O presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Mauricio Tolmasquim, também estava presente.

O ministro lembrou que a reunião não foi convocada com urgência e que estava inicialmente marcada para dezembro de 2012. Ele fez questão de mencionar a chuva que caiu em Brasília, durante o encontro,  para tranquilizar a população.

— A tendência é melhor daqui para frente com o abastecimento completo dos reservatórios das hidrelétricas.
Os reservatórios das usinas das regiões Sudeste e Centro-Oeste, responsáveis por 70% da geração de energia do País, estão com 28,32% da capacidade — nível menor que o de junho de 2001, mês em que se iniciou o racionamento de energia elétrica.

A presidente Dilma Rousseff antecipou sua volta das férias no Nordeste e retornou nesta terça-feira (8) à Brasília, mas não participou da reunião. O ministro Edison Lobão vai ser encontra com ela, no Palácio do Planalto, ainda hoje para repassar a ela o que foi discutido no encontro do CMSE. (R7)

Risco de um novo racionamento de energia elétrica?



2001/2002 ficará marcado como o período em que o Brasil mergulhou no racionamento de energia devido ao desabastecimento ocorrido. Regiões do país não puderam ser atendidas nas suas necessidades de energia elétrica, pela “barbeiragem” do governo federal da época, que não planejou bem, não fez os investimentos necessários, além de implantar um modelo mercantil no setor elétrico, que contribuiu de maneira decisiva ao colapso energético. Quem afinal “pagou o pato”, digo a conta de energia mais cara, foi o consumidor final.

2011/2012 ficará marcado com os anos das tarifas astronômicas (mesmo a geração sendo mais de 70% de hidrelétricas), e dos “apagões”, denominação das interrupções temporárias no fornecimento de energia elétrica, resultando na baixa qualidade do serviço oferecido. Responsabilidade do governo federal, cujos gestores do setor elétrico aprofundaram o modelo mercantil, e cometeram erros crassos na política energética, optando por ofertar energia, com a construção de usinas termelétricas a combustíveis fósseis, usinas nucleares e mega hidrelétricas na região Amazônica. E não priorizaram a diversificação da matriz energética com as novas fontes renováveis, e nem a eficientização no uso da energia.

2013 inicia-se diante de declarações e ameaças sobre a possibilidade de um risco iminente de um novo desabastecimento de energia elétrica, principalmente pela situação de estiagem prolongada, resultando no baixo nível dos reservatórios, e com chuvas previstas insuficientes para recompor os estoques.

É necessário que se diga, alto e em bom som, que a curto prazo não existe possibilidade de risco de faltar energia para atender a demanda atual. O pífio desempenho da economia nacional, medida pelo Produto Interno Bruto (PIB), favoreceu a que o país não sofresse uma nova crise energética nos moldes da ocorrida em 2001/2002. Se o PIB tivesse sido de 4,5%, como previsto inicialmente para o ano de 2012, o consumo da indústria estaria bem maior, e ai sim haveria risco iminente de faltar energia. E em 2013, as previsões do crescimento econômico já estão abaixo das previsões sempre otimistas e super dimensionadas do governo federal. E são nestes previsões governamentais que se baseia o planejamento energético na oferta de energia.

O que ocorrerá sem dúvida será um aumento nas tarifas devido ao repasse dos custos da energia elétrica bem mais cara das usinas termelétricas, que estão funcionando desde o final do ano passado a todo vapor (literalmente). Logo, os aumentos que ocorrerão nos próximos anos vão absorver toda a redução da tarifa obtida com a medida provisória – MP 579. Dá-se ao consumidor com uma mão, e retira com a outra.

Já a médio prazo, a situação não é tranqüila para o setor elétrico, desde que continuem os erros serem cometidos. E a situação somente mudará se houver uma guinada de 180º na política energética em nosso país.

O que se pode extrair da conjuntura atual, com declarações e ameaças de um novo racionamento de energia, é que a sucessão presidencial começou. Não se deve politizar uma coisa tão séria para o país, como a questão da energia. Com risco de criar o descrédito da população em um setor estratégico, que vai além dos governos de plantão, e mesmo levar o pânico com a possibilidade de faltar energia.

A irresponsabilidade é tanta, que pouco importa o país. O principal é a desconstrução de quem esta no poder. E ai vale tudo. Já vimos esta estória em anos recentes.

Por sua vez o “deus mercado” começa a responder ao jogo político. As bolsas de valores começam a impor o sobe e desce dos papeis das companhias elétricas. Onde vai parar esta histeria provocada?

É hora da sociedade civil se apropriar deste setor até então “monocraticamente” dominado por alguns “especialistas” iluminados, e apadrinhados políticos ungidos a cargos decisórios; e fazer valer sua força quando organizada. Já que tanto o governo, como setores da oposição não têm mais credibilidade junto à sociedade, vale o que disse o poeta “Quem sabe faz a horaNão espera acontecer”. (Artigo: Heitor Scalambrini Costa - Professor da Universidade Federal de Pernambuco)