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Seca no sertão nordestino já matou 20% dos rebanhos

Em algumas regiões do sertão do nordeste não chove há mais de um ano. O prejuízo dos criadores de gado pode ser visto às margens das rodovias, onde há dezenas de carcaças de animais. Estima-se que das 30 milhões de cabeça de gado criadas em todo o nordeste, 6 milhões morreram, cerca de 20% do total.

Esta é a pior seca dos últimos 30 anos na região. Em Penaforte (CE), os poucos animais que resistiram estão magros e sem força. O secretário de Agricultura da cidade, Geová Júnior de Oliveira, explicou que, mesmo que chova, esses animais já não têm mais condições de pastar.

— A situação é ruim. O gado não tem mais força o suficiente para pastar. É assim também com a chuva: o terreno fica mole e impróprio pra o gado andar, porque ele está fraco e não tem mais como fazer grande deslocamento.
Oliveira ainda contou que muitos agricultores foram forçados a abater ou vender para outros estados antes da hora 6 milhões de cabeças de gado.

— Aqui o pessoal tem tradição do gado para o leite. O corte é muito pouco. As pessoas trabalham mais para a produção de leite, pra fazer queijo. Então elas têm mais paixão pra criar, mas não para essa venda pra abate. Não se faz essa prática.

Caminhões-pipa do governo percorrem as fazendas distribuindo água, mas só quem tiver cadastrado que pode receber.  Nem sempre a quantidade levada é suficiente para encher as cisternas.

Em outra região do sertão, a estiagem acabou com 80% da safra de feijão e 95% da plantação de milho. (R7)

Estudo mostra que 50% da comida produzida no mundo é jogada fora

Quase a metade dos alimentos produzidos no mundo, ou seja, dois bilhões de toneladas anuais, acaba parando no lixo, segundo um novo relatório publicado nesta quinta-feira por uma organização britânica que pediu urgência na luta contra este tipo de desperdício.

A Instituição de Engenheiros Mecânicos avalia, em seu relatório, que este desperdício se deve a múltiplos fatores, incluindo a falta de estruturas adequadas, as rígidas datas de validade, as ofertas comerciais que obrigam a comprar em grandes quantidades e as manias dos consumidores.

O estudo, que tem por título "Global Food, Waste Not, Want Not", enfatiza que entre 30% e 50% dos quatro bilhões de toneladas de alimentos que são produzidos anualmente no planeta nunca chegam a ser consumidos.

Só no Reino Unido, até 30% dos cultivos de hortaliças não são colhidos porque sua aparência não cumpre com os critérios exigidos pelos consumidores.

E os autores do relatório avaliam que até 50% da comida comprada na Europa e nos Estados Unidos termina no lixo.

Tim Fox, diretor de Energia e Meio Ambiente na Instituição de Engenheiros Mecânicos, considera um grande impacto a quantidade de alimentos desperdiçados.

"São alimentos que poderiam ser utilizados para alimentar a crescente população mundial, assim como os que hoje sofrem com a fome", afirmou. "Também é um desperdício desnecessário de terra, água e recursos energéticos que se utilizam para a produção, o processamento e a distribuição desses alimentos".

Por exemplo, cerca de 550 bilhões de metros cúbicos de água - outro bem escasso em muitos países - são usados anualmente para cultivar produtos que nunca chegam ao consumidor, assinala o estudo.

Fox cita, entre as razões para esta situação, "técnicas agrícolas e de engenharia e infraestruturas de transporte e de armazenamento inadequadas, a demanda dos supermercados por produtos cosmeticamente perfeitos e ofertas 2x1 que animam o consumidor a comprar mais que o necessário".

O relatório recorda que a população mundial superou os sete bilhões de pessoas no final de 2011, e que as Nações Unidas calculam que poderá atingir os 9,5 bilhões até 2075, aumentando o risco de uma crise alimentar.

"A ONU deve trabalhar em conjunto para ajudar a mudar a mentalidade das pessoas sobre o desperdício e desincentivar práticas que conduzem ao desperdício por parte de fazendeiros, produtores de alimentos, supermercados e consumidores", concluiu Fox. (AFP)