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Sífilis, Como diagnosticar?


(Gleiciere Maia, Biomédica)

A sífilis é uma doença infecto-contagiosa causada por uma bactéria, conhecida como Treponema pallidum. É uma DST (Doença Sexualmente Transmissível) podendo ser transmitida através do contato direto com o sangue contaminado com a bactéria, transfusão sanguínea e verticalmente, ou seja, de mãe para filho. Segundo a Biomédica Gleiciere Maia Silva, ela afirma que é diagnosticada por exames laboratoriais, sendo este, rápido e eficiente, contribuindo para um tratamento correto, evitando assim, que a doença tenha uma evolução crônica. 

A Biomédica explica que a maior problemática desta doença é em mulheres durante o período gestacional “a sífilis poderá ocasionar abortos espontâneos, prematuridade e morte fetal, sendo necessário que a gestante faça o controle pré-natal correto para o diagnóstico precoce”. No Brasil, o teste mais utilizado tanto em centros especializados e em serviços credenciados pelo SUS é o VDRL (Venereal Disease Research Laboratory), é um teste não treponêmico, de baixo custo e fácil execução. Gleiciere Maia esclarece que o resultado deste teste poderá ser positivo (reagente) e negativo (não reagente), e quando positivo, o resultado vem acompanhado de uma titulação (1:2, 1:4, 1:8..) que indicará para o médico dentre outros aspectos, a evolução do tratamento. 

A Biomédica informa que outros testes laboratoriais poderão ser realizados, como a pesquisa direta (a pesquisa do T. pallidum em material coletado de lesão cutâneo-mucosa, placenta e cordão umbilical) e o FTA-ABS (Fluorescent Treponemal Antibody-Absorption), que é um método confirmatório para o diagnóstico de sífilis, com alta sensibilidade e especificidade, entretanto não sendo utilizado na rotina laboratorial.
Na presença de lesões nos órgãos genitais, ânus, pele, gengiva e mãos, procure um médico para uma consulta, o tratamento é com antibióticos e o diagnóstico é feito através de exames laboratoriais. Lembre-se que o uso do preservativo nas relações sexuais é de extrema importância para a prevenção da doença. Cuide-se!!!

Autora: Gleiciere Maia Silva, Biomédica, Mestre em Biologia de Fungos, Especialista em Micologia e Microbiologia Médica.

Crise na distribuição de energia em Pernambuco. De quem é a culpa?



Não fossem bastante os problemas acarretados com as constantes interrupções no fornecimento de energia elétrica em Pernambuco, e a falta de iniciativa do governo estadual em garantir que os contratos de prestação de serviços entre as partes (fornecedor e consumidor) sejam cumpridos; enfim uma instituição oficial desnudou as razões para tamanho descaso. Estou me referindo a divulgação do recente relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Ao analisar as contas da gestão do governador, relativas ao ano base de 2011, o referido relatório, detectou a ineficiência da Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe), por falta de pessoal para monitorar e fiscalizar os serviços prestados pela Companhia Energética de Pernambuco (Celpe).

A Arpe é uma autarquia especial vinculada ao Gabinete do Governador, cuja missão institucional é de “regular com excelência os serviços públicos delegados pelo Estado, garantindo o equilíbrio das relações entre poder concedente, setores regulados e usuários, assegurando a universalização desses serviços e contribuindo para o desenvolvimento sócio-econômico de Pernambuco”. Atuando em todo território estadual, cobre as seguintes áreas: energia elétrica, saneamento, organizações sociais (OS) eOrganização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), loterias e gás natural.

No que toca a energia é a superintendência de energia elétrica, que através de convênio de cooperação com a Agencia Nacional de Energia Elétrica (Aneel), é quem recebeu a delegação para fiscalizar os serviços prestados pela Celpe, além de zelar pelas condições das usinas geradoras instaladas em Pernambuco.

O que revelou o relatório do TCE? A insuficiência de quadros para que efetivamente a missão desta autarquia fosse exercida plenamente. Com a falta de funcionários não se pode corretamente, a bem da população, nem monitorar e nem fiscalizar os serviços oferecidos, como espera a sociedade. Já os funcionários existentes são na sua maioria indicados, apadrinhados, com excessivo número de temporários. A recomendação do Tribunal a administração estadual foi no sentido da necessidade urgente de realizar concurso público para preencher o quadro de funcionários da Arpe.

Das informações reveladas pelo TCE conclui-se que a gestão, ponto divulgado nacionalmente e internacionalmente, por massiva e ampla propaganda, como sendo a grande marca do atual governo estadual, não difere muito das praticadas nos outros governos estaduais e nacional. Ou seja, o uso intensivo dos cargos públicos como barganha política, para o que se denomina eufemisticamente de “governabilidade”. Que nada mais é do que “acomodar” na máquina estatal, os apadrinhados da base política, aqueles que ocupam cargos na administração pública, muitas vezes sem a competência necessária para exercê-los, e sem prestarem concursos públicos.

Já por sua vez, do lado da empresa prestadora de serviços, constata-se o completo desrespeito a população pernambucana. Os “apaguinhos” viraram rotina não somente na capital, mas por todo interior, por causa das falhas no sistema Celpe. Que tenta justificar como sendo problemas pontuais, causados ora pela queda de árvores na fiação que conduz a energia elétrica, ora responsabilizado as descargas atmosféricas, as chuvas intensas com trovões, culpabilizando assim o “santo das chuvas”, São Pedro. A empresa não admite suas responsabilidades nesses episódios, e nem o Estado cobra efetivamente uma solução ao problema que já vem se arrastando há algum tempo.

Enquanto os indicadores de qualidade do serviço prestado, que medem não só, a freqüência das interrupções, o número de horas de interrupção, dentre outras variáveis, tem caído vertiginosamente, se comparado a outras 31 empresas analisadas, no ranking da Aneel. Do 4º lugar em 2011 para 16º lugar em 2012. Em contrapartida, a Celpe, nos 13 anos de privatização, auferiu lucros líquidos extraordinariamente elevados para os padrões brasileiros. Qualidade dos serviços cai, e lucros sobem. Receita ingrata para os consumidores.

E a pergunta que fica é, a quem recorrer? (Heitor Scalambrini Costa - Professor da UFPE)

Maus gestores policiais, sociedade punida

Um grande traço do grau de atraso de uma sociedade é a ação do Estado contrária aos princípios do Direito Administrativo. O Poder Público, por conta da sua ineficiência na gestão das instituições, sobretudo no tocante aos recursos humanos, pune os cidadãos com a restrição de serviços essenciais, e em se tratando da segurança pública, os custos são vidas perdidas e expansão da criminalidade.

Hipoteticamente, suponha-se que determinada categoria policial em nível federal se manifeste através do seu sindicato com paralisações até que se declare uma greve prolongada, que desgasta a imagem do governante da respectiva esfera.

Sabe o que ele pode ser capaz de fazer, inconsequentemente? Suspender por longo período a alocação de recursos destinados ao pagamento de diárias e despesas relacionadas a operações voltadas para o combate ao tráfico de drogas em regiões de produção em larga escala. Resultado: sob pretexto de punir o servidor com o corte de recursos, o Governo acaba por beneficiar o criminoso, que se livra da fiscalização, e castiga a coletividade, que vê o crime se propagar.

Outro exemplo imaginário, mas não impossível, seria um município cuja guarda civil recebe uma frota nova de viaturas, distribuídas aos encarregados de cada bairro para aplicação em ações ostensivas de caráter preventivo e repressivo.

Se o gestor age de má fé, desvirtuando a finalidade para a qual o veículo foi adquirido e fornecido, qual seria o caminho lógico e natural? Puni-lo e substituí-lo por outro que exerça suas funções com lisura. Mas na prática, o que pode acabar ocorrendo? A viatura ser retirada daquele setor e aplicada em outro, deixando órfã uma comunidade já carente, que não elegeu o supervisor da área e preferiria a sua troca em vez da perda daquela conquista tão necessária.

São de maneiras como as ilustradas nas ficções acima que maus gestores acabam se beneficiando e a sociedade paga um alto preço pela condução equivocada da coisa pública, administrada com propósitos distintos daqueles desejados pelo legislador e pelo povo soberano, de quem (teoricamente) emana o poder em um país democrático. (Ten PMPB-Victor Fonseca/Abodagem Policial)

Artigo: Pense, reflita e diga não a energia nuclear!



As decisões tomadas pelos governos da França, Alemanha, Japão, Bélgica, Itália, entre outros, de reverem seus programas de instalação de novas usinas nucleares, e desativarem as existentes, são mais do que um indicativo que esta fonte de energia perdeu espaço considerável no século XXI. Por trás (e a frente) das decisões governamentais, está a pressão popular. A conscientização sobre os reais riscos desta tecnologia tem levado milhares de pessoas a se manifestarem publicamente contrárias ao uso da energia nuclear. Dificilmente por vontade de novos governos haverá mudanças na política não nuclear destes países. Nem mesmo no Japão, onde o atual primeiro ministro tem insinuado que não só reativará as 50 usinas fechadas pós Fukushima, mas construirá novas centrais núcleo-elétricas. A razão é simples a população não quer conviver com o perigo constante de uma catástrofe nuclear.

A China, utilizada como exemplo na rota pró-nuclear, não deve ser imitada. Suas situação política, social e ambiental, não serve como exemplo. O país que é o mais populoso do mundo (mais de 1,3 bilhões de habitantes), tolhe a liberdade de expressão e impede pela força, a participação popular. Por outro lado, os Estados Unidos da América, citado como exemplo de modelo nuclear, vive um grande dilema com relação a sua economia, a seu modo de vida, e as suas posições nos fóruns internacionais referentes às mudanças climáticas. As contradições são enormes, em um país que já foi à locomotiva do mundo ocidental capitalista. Hoje, ao mesmo tempo, propõe a produção e a utilização do gás do xisto betuminoso (verdadeiro crime ambiental), acena para o fortalecimento de políticas na área de energias renováveis.

O Brasil é que deveria servir de exemplo e modelo para outros paises na área energética. Com recursos naturais abundantes como o Sol, o vento, as águas, a biomassa, deveríamos estar à frente e propor novos caminhos para sociedade mundial, na utilização destes recursos, de maneira eficiente, sem desperdício, e sem impacto ambiental e agressão social, levando em conta para que e para quem os recursos energéticos são destinados. Complementando a rede elétrica nacional com geração de energia descentralizada, substituindo os chuveiros elétricos, a iluminação e motores ineficientes, por novas tecnologias disponíveis. Enfim priorizando o uso das novas fontes renováveis e políticas de conservação.

No próximo mês, no dia 11 de março, lembraremos 2 anos da catástrofe de Fukushima.  Não se pode esquecer a gravidade, e as repercussões para a vida de tal acidente, que esta sendo abafado pelas agências de notícia. A população brasileira não se deixará enganar, e mais uma vez continuará afirmando “Não queremos energia nuclear, nem em Pernambuco, nem no Nordeste, e nem no Brasil”. (Heitor Scalambrini Costa)

A soberba elétrica


Já é de conhecimento notório a relação (in)existente entre os gestores públicos do setor elétrico e a patuléia (como diria o respeitado jornalista Elio Gaspari quando se refere ao povo). A arrogância, a prepotência, a falta de ética destes servidores públicos são evidentes, quando tem que dar explicações sobre os erros na condução deste setor, de vital importância para os destinos do país, e principalmente de sua população.

A perda de reputação e de credibilidade só aumenta quando lemos, escutamos e vemos estes senhor@s tentarem explicar o inexplicável. Que mais uma vez, depois de 12 anos do inesquecível desabastecimento ocorrido em 2001/2002, os mesmos erros se repetiram, e a luz amarela acendeu. Estamos novamente discutindo se haverá ou não falta de energia. Se será, para “amanhã”, ou em 2014/2015.

A semelhança da situação que chegamos em 2013 com relação a 2001 é que em ambos casos houve falta de planejamento e gerenciamento, falta de investimentos no setor, período de estiagem prolongada comprometendo assim os níveis dos reservatórios de água. Vale aqui o ditado popular, memória de maus dias, “tudo como dantes no quartel de abrantes”, no que se refere a negação, por parte das autoridades da existência de risco de ocorrer o desabastecimento de energia elétrica. Parece validar o ditado siciliano de que “o pior nunca tem fim”.

Há também diferenças que permitem afirmar que a falta de energia não é para agora, mas que existe risco a partir dos próximos anos, caso não haja uma mudança radical no que concerne à diversificação da matriz elétrica, incorporando substancialmente as novas fontes renováveis, geração solar (o uso em larga escala do aquecimento solar e a micro geração fotovoltaica) e eólica. Chega de retórica. A contribuição destas fontes tem que ser rapidamente elevada para níveis de 15 a 20% da capacidade total instalada.  Além de ser levado mais a sério, ou seja, priorizar investimentos no uso eficiente de energia. Evitando assim desperdícios em processos industriais obsoletos; sistemas de refrigeração, aquecimento e iluminação inadequados; utilizando sistemas de automação, por exemplo, que permite o desligamento automático quando não há pessoas presentes no local.

Mas voltando a soberba dos dirigentes do setor elétrico, duas entrevistas recentes corroboram esta afirmativa. A primeira (6/1) foi com o diretor de engenharia da Companhia Hidroelétrica do Rio São Francisco, que em um programa nacional de grande audiência, declarou diante da pergunta da repórter em tom de deboche, que era correto a estratégia da empresa em participar de vários leilões para a construção de linhas de transmissão, e depois não poder atender os prazos de construção (desculpando com a demora em obter licenças ambientais, etc, etc...). Assim sistemas de geração eólicos (mais de 600 MW) estão prontos para funcionar no Nordeste, há mais de 6 meses, mesmo antes das linhas de transmissão. Portanto não poderem ser interligados ao sistema nacional. O que acarreta prejuízos ao consumidor que tem que pagar a conta. Além de outras respostas que só assistindo para se ter uma idéia do desprezo com a rafaméia.

Outra “pérola” que merece destaque foi a entrevista coletiva (9/1) após reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) em Brasília, com o Ministro de Minas e Energia, e principais dirigentes do setor. Estas autoridades, com ênfase o ministro de estado, responderam o que quiseram. Muitas vezes desdenhando as perguntas dos jornalistas presentes. Afirmativas vazias sem comprovação técnica do que estavam falando foram comuns nos pouco mais de 40 minutos de entrevista. Sem que em nenhum momento admitissem que muita coisa poderia ter sido feita entre 2001 e 2012, e que a situação atual é de risco. Só vendo e ouvindo para crer.

Bem enquanto isto, para a população que infelizmente ainda é mera espectadora, resta rezar aos deuses, e se possível, praticar a dança da chuva. O carnaval esta ai. (Artigo: Heitor Scalambrini Costa - Professor da Universidade Federal de Pernambuco)