Ação da PF contra o tráfico descobre tabela de propina de PMs para liberar presos

sexta-feira, novembro 25, 2011 Inaildo Dionisio 0 Comentários


Agentes da PF (Polícia Federal) e promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público, desencadearam nesta sexta-feira (25) a operação Martelo de Ouro, contra uma quadrilha formada por traficantes de drogas que atuam no morro do Salgueiro, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, e PMs do Batalhão de São Gonçalo (7º BPM), que tinham envolvimento com o tráfico.
Dois PMs, uma advogada e dois traficantes foram presos nesta sexta-feira. Outros 18 PMs que tiveram a prisão preventiva decretada já estavam presos – dois tiveram participação na morte da juíza Patrícia Acioli. Um deles já morreu e outro é considerado foragido. Outros 13 traficantes que foram denunciados também já estavam presos e oito continuam foragidos. Ao todo, foram 46 mandados de prisão e 51 de busca e apreensão.

Durante as investigações, foi descoberto um esquema de pagamento de propina de traficantes do morro do Salgueiro a PMs do 7º BPM. Além de receberem dinheiro para não fazer operações na favela, autorizar a realização de bailes funk e não reprimir a venda de drogas, os policiais criaram uma espécie de tabela para receber resgate de traficantes seqüestrados.
Segundo o promotor Daniel Faria Braz, sub-coordenador do Gaeco, o valor cobrado pelos policiais variava entre R$ 500 e R$ 1.000 para liberar um vapor ou fogueteiro preso (de menor importância na hierarquia do tráfico). Caso a prisão fosse de um gerente do tráfico, o valor variava entre R$ 2.000 e R$ 5.000, podendo chegar a R$ 20 mil, caso fosse um chefe do tráfico de drogas.
- Eles também costumavam cobrar valores de propina sempre que assumiam o plantão. Os policiais ligavam para os traficantes e diziam que tinham acabado de assumir o serviço e cobravam valores para não fazer ações na favela. Os policiais não usavam os próprios nomes e nós tivemos que fazer perícia de voz para identificá-los.

O morro do Salgueiro é considerado um entreposto de drogas para a maior facção criminosa do Rio, que tinha o seu principal reduto no Complexo do Alemão. A estimativa do Gaeco é que o tráfico de drogas na região movimentava até R$ 100 mil por semana. O delegado Victor Hugo Poubel, da PF, o Salgueiro recebia drogas do Complexo do Alemão.
- Percebemos também uma ligação da facção criminosa com uma outra facção que atua em São Paulo, que enviava remessas de drogas para o Rio de Janeiro. O Salgueiro também virou reduto de criminosos que fugiram das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Temos informações de que criminosos do Alemão levaram uma grande quantidade de fuzis para lá.

A operação foi batizada de Martelo de Ferro em homenagem à juíza Patrícia Acioli, que combatia não só o tráfico de drogas, como a atuação de policiais ligados ao crime. A magistrada.

Fonte: R7

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